A Leitura da Aura tem nos ensinado a olhar para a nossa realidade a partir de uma perspectiva espiritual com compaixão pelas adversidades que a vida nos traz. Esse olhar com os olhos do espírito nos permite compreender como toda ação tem a sua causa e como tudo tem uma razão de ser.

A situação que estamos vivendo é como se estivéssemos num barco balançando no meio de uma tempestade. Isso pode ser muito desafiador. Mas é importante termos consciência que não podemos parar a tempestade. O que podemos fazer é nos segurar e continuar conduzindo o nosso barco rumo a mares mais calmos, pois se caímos e ficamos à mercê do balanço do barco, podemos nos machucar, não conseguiremos levar o barco em segurança para fora da tempestade e ainda corremos maior risco de afundar o barco.

Mas na nossa vida prática, o que significa se segurar? Significa nos mantermos firmes, de pé, com disposição de aceitar cada desafio que a vida nos traz com a clareza de que se a onda que está vindo é alta, a firmeza no leme deve corresponder. Para isso, podemos buscar as práticas que nos trazem estabilidade na nossa vida. Para alguns, pode ser fazer exercício físico, para outros cuidar da alimentação, para outros meditar, rezar, cuidar do sono, cuidar de si e da sua saúde. Outros precisarão se inspirar, lendo livros, poesia ou filmes fantásticos. Talvez seja um pouco de cada coisa. Qual é a sua receita?

E como conduzimos o barco para fora da tempestade? Procurando os raios do sol. Às vezes, no meio de uma tempestade violenta é possível ver de que lado as nuvens começam a ceder e abrem espaço para alguns raios de luz dourada. É lá que devemos focar a nossa atenção e a nossa energia se queremos sair de onde estamos. Na vida esses raios podem tomar a forma de clareza, compreensão e até mesmo oportunidades que começam a aparecer. Olhar para o sol é olhar para a fonte de toda a vida, então a pergunta aqui é: o que me dá vontade de viver? O que me faz querer acordar de manhã e me dá energia para ser quem eu sou? Uma crise como esta pode nos permitir descobrir novos rumos para o nosso barco e para a nossa vida. Pode nos fortalecer no nosso propósito e até mesmo revelar novos aspectos de quem somos que estavam escondidos.

São tempos delicados que nos colocam cara a cara com a nossa própria fragilidade, os nossos medos mais profundos e a preocupação que temos com os nossos seres queridos. Mas aqui queremos convidar você a parar por um instante e refletir conosco: se a vida fosse a sua melhor amiga, o que que ela estaria querendo te ensinar com esta situação? Qual é a oportunidade que você tem neste momento presente?

Compartilhamos aqui algumas oportunidades que nós pudemos reconhecer. A situação atual nos deixou fechados nas nossas casas, seja sozinho ou com a nossa família. Essa é uma oportunidade única para olhar de frente para onde estamos no nosso processo de cura. Muitos de nós não temos tempo para passar longos períodos com a família e estar verdadeiramente presentes uns para os outros. Sabemos, através da psicologia, que o nosso processo de cura nos convida a olhar para nossa infância, para a nossa relação com os nossos pais e irmãos e familiares próximos. Pois aí está a raiz dos padrões negativos que repetimos nas nossas vidas.

Olhar para isso por vontade própria pode ser desafiador, porém, às vezes a vida nos presenteia com a oportunidade de não pode fugir daquilo. Se nos permitimos estar presentes e observar aquilo que vem à tona em nós quando estamos com essas pessoas da nossa infância, talvez possamos reconhecer o que nos machucou e dar alguns passos na direção da nossa própria cura para sermos mais livres. Toda mágoa ou ressentimento guardado no nosso sistema aprisiona o amor em nós, a nossa felicidade. A chave para a libertação é o perdão, mas esse perdão não é uma coisa que possamos forçar. Podemos colocar essa intenção para abrir caminhos para ele florescer. Podemos estar na presença do que sentimos, deixando a compreensão surgir e abrir caminhos para esse florescimento.

Para aqueles que se sentem em mais harmonia com a família, esta pode ser uma oportunidade maravilhosa que a vida está dando de estar em família, podendo estar juntos e conversar, conhecendo uns aos outros mais profundamente e amando mais verdadeiramente sem tempo nem distrações. Como está sendo para você esse confinamento?

Muitas distrações têm sido fechadas: shoppings, cinemas, jogos de futebol, shows, restaurantes, bares, festas, lojas… As ruas estão ficando desertas, habitadas só pelo silêncio. É uma excelente oportunidade para nos focarmos em nós mesmos, olharmos para dentro, refletirmos sobre o que estamos fazendo da nossa vida e descobrirmos quem somos. Agora temos tempo, temos silêncio, pois a nossa casa virou o nosso mundo.

Olhando da perspectiva do nosso planeta, sem aviões voando por todo lado, menos carros se movendo, as fabricas fechadas, a poluição vai diminuindo muito e o planeta pode respirar com mais calma e se recuperar por um momento. Sem os cruzeiros cheios de turistas e talvez menos barcos de carga, os oceanos e mares vão poder ter mais paz e se recuperar de tanta poluição.

É um momento para avaliar aquilo que realmente é necessário para a nossa vida. Aquilo que não é pode deixar de ser importante. Podemos praticar o desapego como uma forma inteligente de abraçarmos este momento de evolução que está sendo apresentado para nós.

A nossa proposta é aproveitar este momento para nos curarmos, para silenciarmos, para irmos para dentro de nós e refletirmos o que é essencial para o ser humano. Que possamos alimentar nos nossos corações a verdadeira fé na sabedoria do nosso espírito e a gratidão por aquilo que já podemos compreender, pedindo luz para aquilo que ainda não compreendemos.

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